Desde 2014

Vídeos

O projeto visa registrar em vídeos as histórias contadas por moradores da fronteira sul do BrasiL. Os cinco vídeos iniciais registraram as narrativas colhidas no território compreendido entre a Barra do Chuí e a cidade de Pelotas , incluindo Santa Vitória do Palmar, Rio Grande e São José do Norte.

Estação Balneária As Maravilhas

A praia conhecida por As Maravilhas, tema inicial deste projeto,  surge na década de 40 do século passado por iniciativa de um estanceiro da região. Local de encontro, divertimento e relatos, nas rodas de chimarrão de aventuras tais como as perigosas viagens pelas areias do mar, que por muito tempo foi a única rota terrestre de comunicação entre Santa Vitória e a progressista cidade de Rio Grande. O contrabando que desde sempre fez parte da história da região e era relatado de forma romantizada nas rodas noturnas em torno do amargo. A navegação pela Lagoa Mirim, outra forma de contato entre Santa Vitória e o restante do país, também rendiam belos relatos. Posteriormente a “estrada do inferno”, responsável por quebra de eixos de valentes Austins e encontros solidários de viajantes sempre prontos a socorrer colegas de destemidas aventuras.

Estas histórias que constituem a memória desta região tão rica culturalmente e significativa na demarcação das fronteiras do extremo sul de nosso país, que fazem parte da memória da minha família e que são tão caras ainda hoje aos habitantes daquela região, é que serão registradas neste projeto.

No extremo sul do Brasil, em uma faixa de terra outrora denominada Campos Neutrais, na época isolada do restante do país por extensas planícies e intransponíveis alagados das terras do Taim, encontra-se Santa Vitória do Palmar. Cidade que tem na origem da formação de seu povo tipo singular como o Changador, vindo da miscigenação do índio com o espanhol e o português. Homens solitário, rebelde a qualquer lei.

Em luta com este ou fazendo uso de sua bravura para combates estavam  os estanceiros e Caudilhos, herdeiros de terras distribuídas em sesmarias ou por pagas a feitos de guerra nas intermináveis disputas de fronteiras entre a coroa portuguesa e espanhola.”

Trecho da narrativa do vídeo

O Porto de Santa Vitória do Palmar

Numa tarde quente de janeiro nos dirigimos para o Hermenegildo, uma das praias do litoral sul. Lá encontramos o professor Homero Vasques que nos falou sobre o Porto de Santa Vitória do Palmar. Desta vez eu estava acompanhada de meu pai, Air Almendares, amigo do professor desde a infância na cidade de Santa Vitória.
Na juventude foram os dois para Porto Alegre completar os estudos onde o pai permaneceu, constituiu família e fez carreira na Secretaria da Fazenda.. Homero foi para Pelotas onde concluiu sua graduação em história e retornou a Santa Vitória tornando-se admirado professor e escritor.

Por um caminho de terra chegamos a bela casa à beira mar, para uma longa e agradável conversa. Seu relato completo apresenta um panorama de toda a ocupação do extremo sul pelo homem, desde os índios, os colonizadores europeus até a fundação da cidade de Santa Vitória do Palmar. Como nosso foco neste vídeo é o Porto da cidade foi necessário realizar um recorte no depoimento, mas ficamos com um belíssimo material para um próximo vídeo focado na cidade de Santa Vitória do Palmar.

A Ilha dos Marinheiros e a Lagoa das Noivas

Visitar a Ilha dos Marinheiros é entrar em outro universo.
A placa turística já na chegada apresenta muito bem a ilha. Pintada por um artista de Rio Grande ela dá o tom singelo do lugar. Detalhadamente estão localizados os principais pontos turísticos. O Santuário Nossa Senhora de Lourdes, o Caminho do Rei que é como chamam os moradores o local de chegada à ilha do Imperador D.Pedro II, isso em 1845. Vemos também as capelas, tão bem cuidadas que são: Capela de São João Batista, Capela de Santa Cruz, Capela de Nossa Senhora da Saúde. Tem o local de comercialização da Juripiga, que é uma bebida de origem portuguesa produzida na região, e a Lagoa das Noivas.

Na ilha principalmente o tempo é outro. A estrada de chão já informa que a pressa não combina com aquela região. Raramente cruzamos com outro veículo. As casas, por vezes distantes uma das outras, ou agrupadas o que dá a ideia de famílias ocupando um terreno comum, guardam um silêncio e transmitem a tranquilidade do lugar. Muitas destas casas possuem uma cobertura de lata típica da região o que despertou nossa curiosidade. A informação que conseguimos dá conta de que a lata é utilizada para proteção da madeira, é um costume da região…

São José do Norte o Espião Alemão

O percurso de Rio Grande até São José do norte leva em torno de 25 minutos de lancha. Quando começo a avistar as construções de São José do Norte a que primeiro se mostra é a igreja com suas duas torres.. Sempre linda e imponente mesmo na sua simplicidade. Em seguida inicio a invariável tentativa de localizar os pontos familiares. Onde estará o barco do Renato? E a casa de seu Otávio? E a do Dega E assim vai… Até que atracamos e encontro a cidade numa alegria só e numa paz invejável. A praça… a igreja….. as ruas…
Pois nesta cidade mora seu Otávio. Pessoa encantadora, definido pelos amigos como um homem crítico e por ele mesmo como alguém sem travas na língua, coisa que já lhe rendeu algum incômodo.

Seu Otávio foi vereador e hoje mora em uma adorável casinha construída por ele num solo também construído por ele através do aterro da lagoa o que consiste em grande orgulho em sua vida.
Entre tantas histórias que nos contou apresentamos aqui a do Alemão Espião que aconteceu no período da segunda guerra mundial.

A Ilha da Feitoria e o povo que se apaixonou

A ilha da Feitoria guarda grande contradição entre tragédia e beleza sem par. Ao chegarmos encontramos tudo muito alegre com visitas ao seu Negrinho de amigos pescadores que costumam passar por lá, inclusive alguns ainda possuem casa na ilha. 
À sobra de uma majestosa figueira, numa roda de conversa, as histórias foram sendo reveladas e seu Negrinho  usou uma expressão que me marcou. Ao relatar uma das  tragédias que se abateu sobre a colônia ele falou ao se referir a tão grande tristeza,  que o povo se apaixonou e deixou a ilha.

Fotos

O projeto tem gerado um extenso registro fotográfico. Selecionamos algumas imagens para este vídeo e no link Fotos, no menu principal, outras imagens estão organizadas por assunto. 

Registro

100 DVDs contendo os cinco vídeos com encarte doados primeiramente às instituições
culturais citadas na proposta para a FUNARTE sendo elas: Santa Vitória do Palmar, Chuí,
Rio Grande, São José do Norte e Pelotas.

Ficha Técnica dos vídeos

Concepção e criação do projeto – Rosana Almendares em parceria com Renato Almendares
Trilhas sonoras originais – Fernando Lewis de Mattos
Captação de imagens e edição – Rosana Almendares (Almendares Planejamento Visual)
Impressão de mídias – Mídia A Produções
Peças gráficas – Design de Atelier
Divulgação – Gato Preto Produções